História

Quem Somos

História é transmissão de conhecimento.
Arte é a expressão humana contextualizada.


Artistas plásticos, historiadores, produtores, professores e alunos de arte, há 75 anos encontrando unidade a partir das diferenças.

 

Histórico da Chico Lisboa


A Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa, fundada em 1938, é uma das mais antigas entidades culturais em funcionamento no Estado, tendo por finalidade promover as artes visuais e defender os interesses dos seus associados perante a sociedade. Ao longo de sua história, a Chico Lisboa teve como diretores e presidentes grandes expoentes das artes plásticas do Rio Grande do Sul, tais como: Carlos Scliar, Guido Mondim, Francisco Stockinger, Vasco Prado, Zorávia Bettiol, Riopardense de Macedo, Carlos Alberto Petrucci, entre outros. A entidade também participou de muitos momentos políticos, como a luta contra o Estado Novo, pela Anistia e pelas Constituintes em 1946 e 1988, pela liberdade de expressão nos momentos em que esta foi reprimida, e em outros tantos episódios importantes da história do país.

ASSOCIAÇÃO RIOGRANDENSE DE ARTES PLÁSTICAS  FRANCISCO LISBOA

Maria Leda Macedo

HISTÓRICO:

Seria supérfluo encarecer as vantagens da ação conjunta em todos os setores da atividade humana. Os artistas não fogem a esse imperativo, acrescentando-lhes outras razões de ordem estética e espiritual. O convívio o intercâmbio de idéias, a solidariedade afetiva e estimuladora são fatores que lhe estabelece o clima necessário ao próprio florescimento das individualidades. O isolamento motivado pela timidez ou pelo egoísmo é sempre definhante, quando a luta em conjunto é a vereda por onde transitam todos os sucessos.

A Associação Rio Grandense de Artes Plásticas Francisco Lisboa, surgindo em 1938 evidenciou essa assertiva.

Esse texto foi transcrito do Editorial do Boletim nº 1, da Associação Riogandense de Artes Plásticas Francisco Lisboa, publicado em 1946, e assinado por seu então Presidente, Guido Mondim Filho. Esse, juntamente com outros artistas, tendo a frente João Faria Viana (o 1º Presidente da Associação) sentiram necessidade de se unir, pelo já exposto, como também para mostrar o produto de seus trabalhos. Tinham poucos locais onde expor, esporadicamente o faziam em Casas Comerciais. A Associação veio suprir essa necessidade, realizando os Salões de Arte. Nos dois primeiros anos chegou a realizar três Salões. No primeiro, em 1938, compareceram 20 artistas com 88 obras, na Casa das Molduras. O 2º Salão foi realizado em fevereiro de 1939, com 18 artistas e 70 trabalhos e o 3º, em novembro com 86 trabalhos e 26 artistas, o que demonstra a oportunidade da fundação de uma associação que os liderasse e a quantidade de artistas e obras que tinham necessidade de mostrar. Anualmente, realizavam-se esses Salões Oficiais que levavam o nome da Associação, cada vez reunindo mais artistas e suas obras. Os trabalhos que se destacavam passaram, mais tarde, a receber o Prêmio Aquisição, e passavam a ser propriedade das firmas que os patrocinavam.

É realizada a primeira excursão a cidade de Rio Pardo, para desenhar e pintar naquela cidade histórica, em abril de 1946.

Pelo Decreto Lei Municipal nº 677, a Chico Lisboa, recebe a missão de organizar o Salão Câmara Municipal de Porto Alegre, criado pelo Decreto Lei nº 940, de 6/11/1952, e, no ano seguinte, é realizado o 1º Salão, com 53 obras de 19 artistas. E assim continuou a realizá-lo anualmente até 1960. Também continuava a realizar seus Salões Oficiais, que, em 1954, corresponde ao 6º Salão. Nesse mesmo ano, aluga uma sede, no Edifício União, no 10º andar, praticamente sua primeira e única sede. Até então tinha tido somente outra, na travessa Itapiru nº 17, com curta duração.

Em 1955/56 realiza os 7º e 8º Salões e promove nova excursão a Rio Pardo, onde participa da homenagem especial a Manoel de Araújo Porto Alegre, junto ao túmulo daquele ilustre rio-pardense que fora, entre outras coisas, Diretor da Imperial Academia de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Também, realizam visita a cidade de Santo Amaro, com a finalidade de desenhar e estudar a arquitetura colonial, lá ainda existente.

A Chico Lisboa sai do interior dos museus e casas de exposições, em 1957, e realiza o 1º Salão de Caricaturas Antiga e Moderna, inicialmente no Instituto Cultural Brasileiro Norte-americano, e depois, leva para a Praça da Alfândega, em pavilhão cedido pela Prefeitura. Dali vai para o restaurante Universitário e, logo depois, para a cidade de Lages/SC. Nesse mesmo ano, organiza o 1º Salão de Arte Moderna, no MARGS e o 4º Salão Câmara. A companhia de teatro Celli Autran encomenda os cenários para a peça Frankel, de Antonio Callado e a Neugbauer, também encomenda gravuras para ilustrar seu calendário de 1958. A Associação Chico Lisboa abre concurso, entre seus associados, para ambas. Nesse mesmo ano, a pianista Zuleika Rosa Guedes, realiza concerto de piano em beneficio da Chico.

A Associação Chico Lisboa é considerada de Utilidade Pública, pela Lei Municipal nº 1852 de 12 de julho/58. Realiza a que seria a maior e mais popular de suas atividades: a 1ª Feira de Gravuras, na praça da Alfândega, onde populares e autoridades circularam durante sua duração e foi muito festejada por toda população.

O 6º, o 7º Salões Câmara, o 10º, 11ºe 12º Salões da Associação e a 2ª e 3ª Feiras de Gravuras, na Praça, foram realizadas nos anos de 1959/60.
Comemorando seu Jubileu de Prata, em 1963, o seu 13º Salão e o 14º, em 1964.
A partir desse ano e nos que se seguiram a Associação passou por seu maior período de recessão. Não poderia deixar de se ressentir pelo cerceamento das liberdades democráticas, que o país sofreu com o Golpe Militar, e, mais do que ninguém os artistas, intelectuais, professores que dela faziam parte.

Em 1979, esses mesmos artistas, intelectuais, professores e amigos das artes resolveram reagir a esse recesso que lhes foi imposto e reerguem a antiga e velha Chico. Por questões legais, é eleita uma Diretoria Provisória, composta de antigos sócios, que tivessem como comprovar sua ligação com a Associação. Seis meses após, tempo necessário para que os novos sócios pudessem votar, é realizada nova eleição. Agora, mesmo que sem propósitos programados, amplia seu interesse na vida em sociedade e sua circunstância. Participa do 1º Encontro Nacional de Artistas Profissionais/ENAPP, no Rio de Janeiro, apresentando o trabalho A Produção Artística e o Mercado de Arte, a 5ª Feira de Gravura, e dá continuidade à publicação de seu Boletim, em 1980, com lançamento na Associação Riograndense de Imprensa (ARI); participa do lançamento do Pólo Cultural de Cachoeira do Sul, com palestra, desenho ao ar livre e exposição dos trabalhos na praça principal; no Instituto dos Arquitetos do Brasil/RS reúne-se com entidades profissionais de outras áreas e constituem o Movimento de Defesa da Cultura Gaúcha. No ano seguinte, esse Movimento faz uma manifestação inédita: sendo proibida qualquer manifestação oral, em público, pela então Secretaria de Segurança Pública, todos os participantes caminham em silêncio, carregando cartazes e faixas de protesto, desde a Santa Casa passando pela rua da Praia até a Assembléia Legislativa. Durante a passeata são escoltados por 60 policiais.

Participa da implantação do Pólo Cultural de Uruguaiana, onde Mônica Arengui profere palestra: “A Mulher nas Artes Plásticas Gaúcha.

A nova diretoria eleita para o período 1982/1983, implanta o Projeto Chico/Convívio/Arte, que são encontros informais para tratar de assuntos ligados às artes e a realização de exposições coletivas. Em continuidade a VII Feira da Gravura, e a interiorização levando-a para Caxias do Sul. Celebra convênio com a Superintendência de Serviços Penitenciários e passa a desenvolver trabalhos de Tapeçaria, Cerâmica e outros, nos Presídios Femininos. Promove e organiza evento de grande porte: o IIº Encontro de Artistas Plásticos Profissionais/ENAPP, com sede no Rio de Janeiro, e o realiza no MARGS/RS, com grande repercussão, trazendo para nossa cidade artistas, palestrantes e críticos de várias partes do país.

Por ocasião das comemorações dos setenta anos do artista Vasco Pardo, a então Diretoria da Associação (1985/86) presta-lhe homenagem especial, com vasta programação. Justa homenagem ao grande escultor, gravurista, fundador do Clube de Gravura, professor de vária gerações de artistas, e, grande amigo da Chico Lisboa, pois pertenceu a várias diretorias e foi seu Presidente.

É convocada para participar do Conselho do MARGS. Encontro no MARGS com o diretor do INAP, Paulo Estellita Herkenhoff, sobre mudanças na nova filosofia do Salão Nacional, e os benefícios dessa para a participação de nosso Estado.

A Associação é convidada e comparece na 1ª Assembléia Nacional dos Artistas Plásticos Profissionais, em São Paulo, onde se reuniram associados, cooperativas e núcleo de artistas plásticos de treze Estados, promoção da ABAPP/ Secretário do Estado da Cultura – RJ/ Ministério da Cultura e FUNART. Assuntos debatidos: A Constituinte e a Lei Sarney, Reconhecimento da Profissão de Artista Plástico, Mercado de Trabalho, Instituições Culturais, Bienais e Salões. No mês do seu aniversário, realizou-se a Mostra de Artistas Plásticos da Chico Lisboa, no Teatro de Câmara, com 104 obras.

1987/88 – A Associação encaminha documento ao senhor Governador do Estado contendo posicionamento e sugestões sobre a atuação do Governo, no âmbito da Cultura. Realiza Reuniões de Reflexão, sobre A Constituinte e a Cultura; Eventos e exposições sobre Artistas e a Constituinte.

Comemora o Cinqüentenário da Associação (1938/1988) com os seguintes eventos: Lançamento de Carimbo Filatélico Comemorativo do Cinqüentenário, expedido pela Empresa Brasileira de Correio e Telégrafos, através de sua secção de Filatelia. Concurso de cartazes comemorativo do Cinqüentenário da Chico – Exposição do Cinqüentenário, no MARGS, com a participação dos associados da Chico e retrospectiva dos 50 anos. Reativação do Salão Câmara Municipal de Porto Alegre, após 28 anos, pela Lei nº 6182/88.- Realização da VIII Edição do Salão Câmara (que pela nova Lei passou a ser bianual).

Compareceram as comemorações os artistas Edla Silva e Guido Mondim Filho (esse morando em Brasília) os dois únicos fundadores da Associação, ainda vivos.

Lançamento, no MARGS, do Calendário da Chico para 1990, executado com gravuras doadas por Iberê Camargo, Xico Stockinger e Vasco Prado. 9º Salão Câmara Municipal, edição 1990, no MARGS.

Exposição Chico Lisboa Agora, no MARGS. Lançamento do Jornal Tablóide da Chico, em julho de 1991 e Jornal da Chico, em dezembro. Participação, como integrante da Executiva do Fórum Gaúcho em Defesa da Cultura, da Elaboração das Leis de Incentivo à Cultura, na Assembléia Legislativa e na Câmara Municipal. Também na fundação da Federação Nacional das Entidades de Artistas Plásticos/FENAP, em Curitiba, no qual é eleito Presidente o Presidente da Chico Lisboa. Após 28 anos é reativado o Salão da Associação, 15ª edição. É criado o Prêmio de Artes Plásticas Chico Lisboa, cuja 1ªedição se realiza no Teatro Renascença, com premiações de 18 categorias. — O Presidente da Chico é eleito, em São Paulo, para a área de artes plásticas, da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura/Secretaria da Cultura da Presidência da República. É realizado o 10º Salão Câmara Municipal, no MAC.

A 16ª e 17ª edições do Salão Oficial da Associação, são realizados nos anos de 1993/94 respectivamente. O 11º Salão Câmara Municipal, em 1994. São realizadas, nesses dois anos, a entrega do Prêmio de Artes Plásticas Chico Lisboa, para os destaques de cada ano. Prossegue a edição dos Boletins da Chico.

De 1995 em diante são realizados o 12º, o 13º e o 14º Salão Câmara Municipal de Porto Alegre. É criado o site da Associação.

Após um curto período em que a Associação esteve em menor atividade, foi eleita nova diretoria, presidida pela artista plástica Bina Monteiro, através de um movimento composto por ex-presidentes e expressivo número de artistas plásticos, que a apóiam.

A Diretoria, cujo mandato se encerrou junho de 2004, em seu primeiro semestre, realizou o XVº Salão Câmara Municipal de Porto Alegre; quatro Encontros Convívio Arte, para os quais foram convidados especialistas em outros setores, mas ligado às artes, tais como literatura, arquitetura e patrimônio histórico, antropologia e música. Encontros esses, que terão continuidade durante o presente ano. Recentemente firmou acordo com instituição internacional, visando intercâmbio de mini-trabalhos sendo que esse se realizará em agosto próximo.

Reeleita para o biênio 2004/2006, a Diretoria realizou o sonho maior da Chico, que era o de sua sede própria. Em dezembro de 2004, foi inaugurada a sede na Travessa dos Venezianos, 19, além de todos os outros eventos que já haviam sido realizados.

 

 


Presidentes da Chico Lisboa

 

1938 – João Faria Vianna

1946 – Guido Modin

1953/54 – Carlos Alberto Petrucci

1957 -Francisco Stockinger

1959 – Ado Malagoli

1962 – Gastão Hofstetter

1965 – (pouco se sabe)

período de recessão

1979 – reativação: diretoria provisória

1979 – Vasco Prado

1980/81 – Zorávia Bettiol

1982/83 – Liana Timm

1984/85 – Leda Nácul

1986/87 – Maria Leda Macedo

1989/90 – Blanca Brites

1991/92 – José Francisco Alves

1993/94 – Roberto Schimitt-Prymm

1995/96 – Gaudêncio Fidelis

1998/99 – Roberto Schimitt-Prymm

2000/01 – Roberto Schimitt-Prymm

2002/03 – Bina Monteiro

2004/05 – Bina Monteiro

2006/07 – André Venzon

2008/09 – André Venzon

2010/12 – Vera Pellin

2012/14 – Vera Pellin

2014/2016 – Kátia Costa

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