Breve explanação sobre a obra

O processo de concepção da videoarte Ruínas Misturadas de um Mundo começou no primeiro semestre de 2020, durante a quarentena imposta pela pandemia de COVID-19. A obra nasce do conflito entre a vontade dos artistas Felipe Cremonini e Wagner Previtali de produzir conteúdo, e a nova realidade apresentada que enclausurou artistas em suas próprias casas e pensamentos. O design de som foi feito à distância por Lucas Honorato, integrando o grupo de forma remota.

A videoarte mescla textos e técnicas corporais do teatro com a linguagem audiovisual, frutos das fusões de trabalhos dos dois artistas. O começo de criação da obra foi remota: Felipe em Sant’ana do Livramento/RS, Wagner em Bagé/RS e Lucas em Maricá/RJ. Primeiro, o grupo queria definir os textos possíveis para serem utilizados. O primeiro texto selecionado foi o monólogo de Hamlet (1599), de William Shakespeare, em uma vontade de “atualizar” seu sentido original e transportá-lo para a realidade da pandemia. O texto A Morta (1937) de Oswald de Andrade foi o segundo selecionado. Seu caráter de “introdução” fez com que o grupo decidisse criar uma narrativa entre eles, com o texto de Oswald servindo como abertura. Recorreu-se novamente às obras de Shakespeare e com a obra A Tempestade (1623) encontrou-se uma finalização ideal para o que estava sendo construído. Com os três textos selecionados e uma partitura corporal criada para o segundo ato, foi decidido que cada um teria uma linguagem teatral diferente: A abertura, com Oswald de Andrade seria uma leitura dramática, um primeiro contato, seguindo com a partitura corporal narrada em off do monólogo de Hamlet e finalizando com o texto de A Tempestade, em uma interpretação para a câmera.
A primeira locação escolhida foi para a partitura corporal, o grupo queria utilizar uma casa em ruínas em Bagé. Depois, foi decidido que o local da leitura dramática, o primeiro ato, seria o jardim interno da casa do Wagner. Com os dois lugares definidos, construiu-se uma narrativa de um personagem que vai aos poucos “saindo de casa”, reflexo de vontades dos artistas durante a quarentena: Inicia com um “pedaço de personagem perdido no teatro” (nomenclatura que adotamos do texto) em um lugar fechado, com plantas ao seu redor no primeiro ato, o segundo ato coloca-o em uma casa em ruínas, na tentativa de tirá-lo do espaço, e o terceiro e último ato tenta apresentá-lo em espaços abertos, com as ruínas ao fundo. Então o nome, as Ruínas Misturadas de um Mundo.

Currículos

Misturagens de Mundos
Coletivo formado em 2020 durante a pandemia de Covid-19. O grupo teve um projeto de oficinas gratuitas em audiovisual contemplado com o edital da Lei Aldir Blanc do município de Sant’ana do Livramento-RS. A obra Ruínas Misturadas de um Mundo, 2021, integrou a Exposição Internacional Chinelagem, pela Editora Nômade. Com a obra regiões desconhecidas, 2021, participaram do circuito virtual Expressões Poéticas, da MEME Incubadora Cultura. Também, os membros do coletivo participaram da mesa redonda do evento PONTE: Artistas e seus contextos de atuação, falando sobre produção cultural e editais, promovido pela UFPel.
https://linktr.ee/misturagensdemundos

Felipe Cremonini
Nascido em Sant’ana do Livramento no Rio Grande do Sul em 1997, Felipe Cremonini de Leon é ator, professor, pesquisador e realizador de teatro e audiovisual. É um dos idealizadores e oficineiros do coletivo Misturagens de Mundos (2021). Atualmente é mestrando em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e licenciado em Teatro pela Universidade Federal de Pelotas. Foi membro da Cia P. com P. De Teatro (2013-2015) em S. do Livramento, e Cia. Ubuntu de Teatro (2016-2017) em Pelotas. Realiza pesquisas e trabalhos acerca das relações entre o audiovisual com a linguagem teatral. Foi preparador de elenco em obras como o curta-metragem Bicha Camelô (2017) e o EP visual ESTESIA (2020), e já ministrou oficinas na área de iniciação e montagem teatral e direção de elenco no cinema. Em 2021 teve sua trajetória artística contemplada com o prêmio Trajetórias Culturais – Mestra Sirley Amaro.
https://linktr.ee/felipecremonini

Lucas Honorato
É idealizador e oficineiro do coletivo Misturagens de Mundos. É graduado em Cinema de Animação pela UFPel. Curador, realizador, pesquisador do Cinema Negro e suas estéticas. Como realizador possui passagem em festivais como o FestcurtasBH, Animamundi, Zózimo Bulbul, Gramado e outros, com os filmes: Céu da boca, 2019; Homem atrás da Janela, 2020; Bicha Camelô, 2017 e outros. É um dos fundadores e curadores da Mostra de Cinema Negro de Pelotas (2017-2020); Atuou como curador em outros festivais e mostras de cinema, e escreve críticas de cinema pelo Coletivo Teté.
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Wagner Previtali
É idealizador e oficineiro do coletivo Misturagens de Mundos. Mestrando em Artes Visuais pela Universidade Federal de Pelotas, bacharel em Cinema e Audiovisual pela mesma instituição. Estudante das imagens e pesquisador dos encontros, fotógrafo e realizador audiovisual. Atua nas áreas de direção e produção, tendo curta-metragens selecionados e premiados em festivais, com destaque para os trabalhos Bicha Camelô (2017) e Desaborto (2016).
https://www.instagram.com/fotorizoma/

Ficha técnica

Ruínas Misturadas de Um Mundo
Sinopse: A partir de textos clássicos de Oswald de Andrade e William Shakespeare, a obra “Ruínas Misturadas de Um Mundo” apresenta um “pedaço de personagem perdido no teatro” que caminha entre cenários, planos e movimentos. Misturando leitura dramática, interpretação e performances corporais, somadas à linguagem audiovisual, gerando um híbrido entre a linguagem teatral e cinematográfica, resultado da fusão dos trabalhos dos artistas envolvidos.
Duração: 6:24
Formato: Vídeo-arte
Classificação indicativa: Livre
Local de origem: Bagé, Rio Grande do Sul, Brasil
Direção e roteiro: Felipe Cremonini e Wagner Previtali
Interpretação: Felipe Cremonini
Captação e montagem: Wagner Previtali
Mixagem de som: Lucas Honorato
Data: 2020/2021